Se fosse Aquilino Ribeiro que a tivesse surpreendido, diria que a Casa do Moleiro era «uma pincha-no-crivo, devassa e curiosa». De facto, ela situa-se numa posição privilegiada, curiosa, atenta, segundo a rosa dos ventos. Três movimentos, apenas.

1. Se repararem bem, olhando o alto do Montemuro, dirigimos a visão para as bandas das terras de Aveloso, aldeia que Abel Botelho descreve como que «adoptando a feição selvagem do penhasco» (conto ‘A Fritada’).

2. Espraiando a visão pelo vasto horizonte ao longe, avista-se, da Casa do Moleiro, o espelho de água do Rio Doiro e ... Porto Manso reflectido nele, terras de suculentas e doces laranjas.

«São como bolas de oiro postas nas árvores para uma lenda de fadas.»

Quem escreveu? Alves Redol, pois então, no seu romance Porto Manso. As laranjas, as laranjas de Porto Manso e da Pala... primas das tangerinas tão queridas dos versos de Eugénio de Andrade.

3. E, terceiro, se nos debruçarmos na varanda sobre o misterioso vale do rio Bestança (de ‘Bestias’, selvagem), mesmo aos pés da Casa do Moleiro, ouve-se a voz do Portugal Fundacional (D. Afonso-Henriques-Menino mais seu aio Egaz Moniz; Giraldo Giraldes, o «Sem Pavor», natural das vizinhanças da Casa do Moleiro (S. Pedro de Ferreiros de Tendais) «e que numa chã entre ásperas penedias aqui existentes, construiu o Castelo ou Torre de Chã, que mais tarde, com outras construções, se tornou no «solar dos Pintos», antecâmara das suas aventuras mortíferas por terras da mourama, no alentejo (in ‘Cinfães’ por Bertino Daciano R. S. Guimarães).

Ao mesmo tempo que nos sentimos arrebatados pela braveza do bosque e das correntes de água no pino do inverno, também somos atraídos pelo colorido da flora ou a surpreendente aparição duma lontra ou duma truta, se é verão, e se é noite o piar do moucho galego, caso faça calor. A Ponte Românica de Covelas, as margens do Bestança, os pêgos, os poços, os moinhos, as quedas de água, as aldeias vizinhas e algum volframista (leia-se Aquilino e o Montemuro, in ‘Volfrâmio’) mais o tempo-sem-tempo que ali naturalmente nos transfigura, são demasiados para apenas uma visão de relance ou um simples fim-de-semana.

Aproveite a estadia na casa para subir o Douro de barco ou de comboio entre a Régua e o Pinhão, ou ainda viajar no comboio a partir de Mosteirô até ao Tua e apreciar as bonitas paisagens que nos são oferecidas por esses bonitos circuitos no Vale do Douro.

A Casa do Moleiro tem convénios com operadores turísticos, podendo oferecer condições especiais nestes passeios.